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21/09/2023
Estresse: Como nosso corpo reage em situações de tensão
09/05/2024A Integração de Mente e Corpo na Saúde Emocional
As emoções fazem parte da experiência humana e exercem funções importantes para nossa adaptação e sobrevivência. No entanto, quando se tornam excessivamente intensas, persistentes ou difíceis de manejar, podem contribuir para sofrimento psicológico e afetar diferentes aspectos da saúde e da qualidade de vida.
Nossas emoções desempenham um papel fundamental em nossa saúde, e isso não é apenas uma observação casual, mas algo respaldado pela ciência. Estudos sobre o cérebro e a mente comprovam que tudo que está relacionado com a nossa saúde e bem-estar funciona como um todo.
Mente e corpo não funcionam de forma independente. A maneira como percebemos, interpretamos e respondemos às nossas experiências influencia tanto nosso bem-estar emocional quanto nossa saúde física.
O cérebro exerce um papel fundamental no comportamento humano, e as emoções participam ativamente dos processos de adaptação e sobrevivência. Estudos em neurociências e psicologia apontam que dificuldades persistentes na regulação emocional estão presentes em diversos transtornos psicológicos, embora sua origem envolva uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais.
“As emoções podem ter consequências tanto úteis quanto patológicas”. Le Doux
Ansiedade, Depressão e Doenças Psicossomáticas
Embora tenham uma função importante na adaptação e na preservação da vida, emoções como medo, tristeza e raiva podem contribuir para o sofrimento psicológico quando se tornam excessivamente intensas, persistentes ou difíceis de manejar. Essas dificuldades podem estar presentes em diversos transtornos psicológicos, incluindo transtornos de ansiedade, depressão e outras condições relacionadas ao humor.
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Além de afetar a saúde emocional, dificuldades persistentes na forma de lidar com as emoções podem influenciar comportamentos, decisões e relacionamentos, contribuindo para conflitos interpessoais, prejuízos profissionais e redução da qualidade de vida.
O Impacto das Emoções na saúde
Quando vivenciamos emoções intensas, como estresse, medo ou ansiedade, o organismo mobiliza uma série de respostas fisiológicas para nos ajudar a lidar com desafios e ameaças. Entre essas respostas está a liberação de hormônios relacionados ao estresse, como o cortisol, que desempenham um papel importante na adaptação e na sobrevivência.
Essa reação faz parte do conhecido sistema de “luta ou fuga”, essencial para a proteção do organismo. No entanto, quando estados de alerta e tensão se tornam frequentes ou persistentes, podem produzir impactos negativos sobre a saúde física e mental.
Para saber mais: Estresse: Como nosso corpo reage em situações de tensão
Diversos estudos indicam que o estresse crônico pode influenciar o funcionamento dos sistemas nervoso, endócrino e imunológico. Além disso, está associado a um maior risco de problemas cardiovasculares, alterações gastrointestinais, dificuldades do sono e outros impactos na saúde. Seus efeitos também podem repercutir no bem-estar psicológico, contribuindo para o agravamento de quadros de ansiedade, depressão e outras formas de sofrimento emocional.
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O papel do medo nos transtornos psicológicos
O medo é uma emoção fundamental para a sobrevivência. Ele nos ajuda a reconhecer perigos, proteger nossa integridade física e responder a situações potencialmente ameaçadoras.
O sofrimento surge quando sistemas originalmente destinados à proteção passam a interpretar ameaças de forma excessiva, persistente ou desproporcional ao contexto. Por essa razão, o medo ocupa um papel central em diversos transtornos de ansiedade, como o transtorno do pânico, as fobias específicas e outros quadros caracterizados por intensa sensação de ameaça e comportamentos defensivos que acabam limitando a vida da pessoa.
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A todo momento o corpo produz respostas físicas às emoções, assim como produz respostas emocionais às sensações corporais.
Pessoas que sofrem com ansiedade ou depressão podem tornar-se mais sensíveis às sensações físicas e interpretar determinados sintomas de forma catastrófica, aumentando o sofrimento emocional. Da mesma forma, pessoas que convivem com doenças físicas podem experimentar níveis mais elevados de estresse, ansiedade ou tristeza, tornando a adaptação ao adoecimento mais difícil.
Existe um número crescente de evidências demonstrando a interação entre fatores emocionais, comportamentais e biológicos na saúde. O organismo não responde apenas a agentes físicos. Ele também responde às experiências que vivemos, às formas como interpretamos essas experiências e aos recursos que dispomos para lidar com elas.
As doenças psicossomáticas ilustram como fatores biológicos, psicológicos e sociais podem interagir na saúde. Situações de estresse intenso ou prolongado, associadas à forma como vivenciamos e lidamos com nossas experiências, podem influenciar o funcionamento do organismo e contribuir para o agravamento ou a manutenção de determinados sintomas físicos em algumas pessoas.
Estar em contato com as próprias emoções e desenvolver a capacidade de reconhecer e compreender os próprios sentimentos pode favorecer formas mais saudáveis de lidar com o estresse e os desafios da vida.
A Importância da Psicoterapia
A psicoterapia desempenha um papel importante no reconhecimento e na compreensão das emoções, ajudando a desenvolver formas mais saudáveis de lidar com o sofrimento emocional e com os desafios da vida.
Mais do que reduzir sintomas, ela favorece o autoconhecimento, amplia a consciência sobre padrões de pensamento e comportamento e fortalece recursos internos para enfrentar situações difíceis com maior autonomia e equilíbrio.
Ao compreender melhor suas emoções, pensamentos, comportamentos e padrões de relacionamento, torna-se possível desenvolver uma relação mais consciente consigo mesmo, com os outros e com os desafios da vida. Esse processo favorece não apenas a redução do sofrimento, mas também a construção de uma vida mais autêntica, equilibrada e significativa.
Mary Scabora
Sobre Mary Scabora
Mary Ana Paula Scabora (CRP 05/36742) é psicóloga clínica, especialista em neurociências e comportamento. Atende adultos no Brasil e no exterior, acompanhando pessoas que desejam compreender os processos emocionais, cognitivos e relacionais envolvidos em seu sofrimento psíquico, para além da redução imediata dos sintomas.
Sua prática integra psicologia baseada em evidências, neurociências e reflexão filosófica, articuladas a uma escuta clínica orientada por rigor técnico, pensamento crítico e atenção à singularidade de cada trajetória.




