Psicoterapia para compreender o esgotamento relacionado ao trabalho e construir possibilidades de cuidado e mudança.

Burnout é um fenômeno relacionado ao trabalho, associado à exposição prolongada a estresse ocupacional que não pôde ser adequadamente manejado. Pode envolver exaustão, distanciamento crescente do trabalho e sensação de redução da própria eficácia profissional.

Esse processo nem sempre é percebido de uma vez. A energia não volta como antes. O descanso parece insuficiente. A mente continua ocupada com o trabalho mesmo fora dele, e tarefas que antes eram administráveis podem começar a exigir um esforço desproporcional.

Muitas pessoas continuam funcionando por muito tempo antes de perceber que algo mudou.

A psicoterapia pode ajudar a compreender o que está acontecendo e como condições de trabalho, formas de lidar com exigências, história pessoal e limites se articulam nessa experiência. O cuidado pode envolver tanto o alívio do sofrimento quanto a construção de possibilidades mais sustentáveis de ação e mudança.

Quando procurar ajuda para burnout?

Você não precisa ter certeza de que está vivendo um burnout para procurar ajuda. Vale buscar avaliação quando o esgotamento relacionado ao trabalho persiste, começa a se intensificar ou passa a afetar outras áreas da vida.

Alguns sinais de que algo merece atenção são:

Essas experiências, isoladamente, não confirmam burnout. Sintomas semelhantes podem ocorrer em situações de estresse, ansiedade, depressão, problemas de sono e também em algumas condições de saúde. Uma avaliação profissional pode ajudar a compreender melhor o que está acontecendo e quais formas de cuidado são adequadas.

Não é necessário esperar até que continuar funcionando se torne insustentável para procurar ajuda.

Como a psicoterapia pode ajudar no burnout?

Na psicoterapia, buscamos compreender tanto as condições concretas de trabalho, incluindo possíveis fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho, como sobrecarga, baixa autonomia, jornadas excessivas, falta de apoio ou situações de assédio, quanto a maneira como a pessoa vem respondendo a essas exigências.

Nem tudo o que produz sofrimento pode ser modificado individualmente. Parte do trabalho terapêutico consiste justamente em distinguir o que depende de mudanças pessoais, o que exige mudanças nas condições de trabalho e quais possibilidades de ação existem em cada situação.

Ao longo do processo terapêutico, podemos trabalhar aspectos como:

Descanso, férias, afastamento ou mudanças nas condições de trabalho podem ser necessários em algumas situações. Mas, quando o sofrimento se prolonga, também pode ser importante compreender o que aconteceu, avaliar o que precisa mudar e identificar quais condições tornam possível retornar ao trabalho ou permanecer nele de uma forma mais sustentável.

A forma como aprendemos a lidar com o trabalho também importa

As condições de trabalho têm um papel central no burnout. Ao mesmo tempo, pessoas diferentes podem responder de maneiras diferentes às mesmas exigências, porque também entram nessa relação sua história, seus valores e formas aprendidas de lidar com responsabilidade, desempenho e limites.

Algumas pessoas têm mais dificuldade para delegar, pedir ajuda ou reconhecer quando chegaram ao próprio limite. Podem sentir culpa ao descansar, assumir responsabilidades além do que conseguem sustentar ou viver sob uma exigência interna permanente de dar conta.

Muitas vezes são vistas como competentes, confiáveis e capazes de resolver problemas. O custo envolvido em sustentar esse funcionamento, porém, pode permanecer pouco visível, inclusive para elas mesmas.

Fósforos parcialmente queimados alinhados, representando o esgotamento progressivo característico do burnout e a necessidade de tratamento para burnout.

Esses padrões não causam burnout por si mesmos. Mas podem aumentar a vulnerabilidade ao esgotamento quando se encontram com condições de trabalho de alta exigência, pouca autonomia, sobrecarga ou outros fatores de risco psicossociais.

Compreendê-los na psicoterapia não significa responsabilizar a pessoa pelo contexto em que adoeceu. Significa ampliar sua capacidade de reconhecer limites, perceber escolhas possíveis e compreender como vem se relacionando com trabalho, responsabilidade, expectativas e cuidado de si.

Alguns temas que podem aparecer na psicoterapia

O processo não é igual para todas as pessoas. Dependendo da situação, alguns temas podem ganhar maior importância ao longo da psicoterapia.

Autocobrança, desempenho e valor pessoal

Algumas pessoas vivem sob a sensação de que nunca fazem o suficiente, independentemente do quanto se esforcem. Em outros casos, o próprio valor passa a ficar excessivamente associado à capacidade de produzir, resolver problemas ou corresponder às expectativas. Quando desempenho e valor pessoal se confundem, desacelerar pode se tornar especialmente difícil.

Limites e responsabilidade

Dizer “não”, delegar, pedir ajuda ou reconhecer que existe um limite para o que pode ser sustentado nem sempre é simples. Quando assumir responsabilidades além do possível se torna um padrão, o custo pode permanecer invisível por muito tempo.

Descanso e desconexão

Mesmo quando existe tempo livre, algumas pessoas permanecem mentalmente ligadas às obrigações. O descanso pode ser acompanhado por culpa, inquietação ou pela sensação de que deveriam estar produzindo. Aprender a reconhecer o descanso como uma necessidade, e não como fracasso ou improdutividade, pode fazer parte do processo.

Uma vida que não seja organizada apenas pelo trabalho

O esgotamento pode estreitar progressivamente a vida. Interesses, vínculos, lazer e projetos pessoais vão perdendo espaço à medida que as obrigações ocupam cada vez mais tempo e energia. Parte do trabalho terapêutico pode consistir em recuperar dimensões da vida que foram ficando à margem.

Como compreendo e conduzo o tratamento

Meu trabalho parte da compreensão de que o esgotamento não pode ser reduzido a uma única causa. Considero as condições concretas de trabalho, a história da pessoa, seus padrões de funcionamento, relações, valores, recursos disponíveis e a forma como vem lidando com exigências e limites.

A psicoterapia pode recorrer a recursos das terapias cognitivas e comportamentais, da terapia do esquema e de outros referenciais clínicos, de acordo com as questões que aparecem ao longo do processo. Quando relevante, conhecimentos sobre estresse, aprendizagem e funcionamento cognitivo também podem contribuir para a compreensão do que a pessoa está vivendo.

O objetivo não é encaixar todas as pessoas no mesmo modelo de tratamento. Ao longo do processo, buscamos compreender quais fatores estão envolvidos naquele caso específico, o que pode ser modificado, o que precisa ser reconhecido como limite e quais formas de cuidado e ação fazem sentido para aquela pessoa.

Perguntas frequentes sobre o tratamento do burnout

Como saber se o que estou vivendo pode estar relacionado ao burnout?

Burnout está especificamente relacionado ao contexto de trabalho. Pode envolver exaustão persistente, maior distanciamento ou negatividade em relação ao trabalho e sensação de redução da própria eficácia profissional.

Outros sinais, como alterações no sono, dificuldade de concentração, irritabilidade, ansiedade ou perda de motivação, também podem aparecer, mas não são específicos de burnout e podem ocorrer em outras condições.

Por isso, não é necessário tentar chegar sozinho a uma conclusão. Uma avaliação profissional pode ajudar a compreender se o que você está vivendo está relacionado ao trabalho, se há outros fatores envolvidos e quais formas de cuidado fazem sentido.

Burnout tem tratamento?

Existem diferentes formas de cuidado para pessoas que vivem um quadro de burnout. O que será necessário depende da intensidade do sofrimento, das condições de trabalho e de outros fatores envolvidos.

A psicoterapia pode fazer parte desse cuidado, ajudando a compreender o que contribuiu para o esgotamento, trabalhar respostas emocionais e padrões pessoais relevantes e avaliar possibilidades de mudança. Em alguns casos, também podem ser necessárias mudanças nas condições de trabalho, períodos de afastamento, adaptações profissionais ou acompanhamento médico.

Por isso, o cuidado com burnout não deve ficar restrito à tentativa de fazer a pessoa suportar melhor um ambiente que continua adoecedor.

Burnout é a mesma coisa que estresse?

Não. Estresse e burnout estão relacionados, mas não são a mesma coisa. O estresse é uma resposta que pode ocorrer diante de diferentes tipos de pressão ou exigência e não se restringe ao trabalho. Já o burnout, segundo a CID-11, refere-se especificamente ao contexto ocupacional e está associado ao estresse crônico no trabalho que não foi adequadamente manejado.

O burnout envolve principalmente exaustão, maior distanciamento ou negatividade em relação ao trabalho e sensação de redução da eficácia profissional. Isso não significa, porém, que exista uma fronteira sempre nítida entre estresse ocupacional intenso e burnout. Na prática, é importante compreender a duração, o contexto e o impacto do que a pessoa está vivendo.

Burnout é a mesma coisa que depressão?

Burnout e depressão não são a mesma coisa, embora possam apresentar sintomas semelhantes e também ocorrer ao mesmo tempo. O burnout está relacionado especificamente ao contexto de trabalho, enquanto a depressão pode afetar diferentes áreas da vida e envolve um conjunto mais amplo de sintomas.

Cansaço intenso, perda de interesse, dificuldade de concentração, alterações no sono e redução da motivação podem aparecer em ambos. Por isso, nem sempre é possível diferenciá-los apenas pela observação dos sintomas.

Quando o sofrimento é intenso, persistente ou ultrapassa claramente o contexto profissional, uma avaliação clínica cuidadosa é importante para compreender o que está acontecendo e se há também um quadro depressivo ou outra condição que precise de atenção.

A psicoterapia online funciona para burnout?

A psicoterapia online pode ser uma modalidade adequada de atendimento para pessoas que vivem esgotamento relacionado ao trabalho. As evidências disponíveis sobre psicoterapia por videoconferência mostram bons resultados para diferentes problemas de saúde mental e, em muitos estudos, resultados semelhantes aos do atendimento presencial.

No caso do burnout, porém, o formato online ou presencial é apenas uma parte da questão. É importante avaliar a intensidade do sofrimento, as condições de trabalho, outros sintomas presentes e se há necessidade de acompanhamento médico ou de outros cuidados.

Para muitas pessoas, o atendimento online também facilita a continuidade da psicoterapia por eliminar deslocamentos e permitir acompanhamento mesmo quando há mudanças de cidade ou país.

Burnout precisa de medicação?

Não existe uma medicação específica para burnout. A necessidade de tratamento medicamentoso depende do quadro de cada pessoa e da presença de outros sintomas ou condições associadas.

Em alguns casos, sintomas importantes de ansiedade, depressão, alterações do sono ou outras condições podem justificar avaliação médica ou psiquiátrica e, quando indicado, uso de medicação.

A decisão deve ser feita individualmente por um profissional habilitado, considerando o conjunto do quadro e não apenas a presença de esgotamento relacionado ao trabalho.

Quanto tempo dura o tratamento?

Não existe uma duração única para o tratamento. O tempo necessário varia de acordo com a intensidade do esgotamento, os fatores envolvidos, as condições de trabalho e os objetivos definidos ao longo da psicoterapia.

Algumas pessoas procuram ajuda em uma fase mais inicial. Outras chegam quando o sofrimento já compromete diferentes áreas da vida ou vem acompanhado de ansiedade, depressão, alterações do sono ou outros problemas.

A duração do processo é avaliada ao longo do acompanhamento, conforme as necessidades e mudanças de cada pessoa.

Agendamento

Você não precisa ter certeza de que o que está vivendo é burnout para procurar ajuda. Se o esgotamento relacionado ao trabalho vem persistindo, se intensificando ou afetando outras áreas da sua vida, a psicoterapia pode ser um espaço para compreender o que está acontecendo e avaliar possibilidades de cuidado e mudança.

O atendimento pode ser realizado de forma presencial em Ipanema (Rio de Janeiro) ou na modalidade online, disponível para adultos no Brasil e no exterior.

Mary Scabora
Psicóloga Clínica – CRP 05/36742

O primeiro contato serve para esclarecer dúvidas sobre o atendimento e avaliar se este acompanhamento faz sentido para você.

Informações e agendamento

Sobre Mary Scabora

Mary Ana Paula Scabora (CRP 05/36742) é psicóloga clínica e especialista em neurociências e comportamento. Atende adultos no Brasil e no exterior, acompanhando pessoas que desejam compreender os processos emocionais, cognitivos e relacionais envolvidos em seu sofrimento e em sua forma de viver, para além da redução de sintomas.

Sua prática integra psicologia baseada em evidências, neurociências e reflexão filosófica, articuladas a uma escuta clínica orientada por pensamento crítico, rigor técnico e atenção à singularidade de cada trajetória.

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