Psicoterapia para compreender as crises de pânico e os processos que podem mantê-las.
Um ataque de pânico pode ser uma experiência profundamente assustadora. A intensidade das sensações físicas e do medo pode fazer com que a pessoa passe a temer uma nova crise e, pouco a pouco, modifique comportamentos, atividades e escolhas para tentar evitá-la.
O que é um ataque de pânico?
Um ataque de pânico é um episódio súbito de medo ou desconforto intenso, acompanhado por sensações físicas e outras experiências que aumentam rapidamente de intensidade. Podem ocorrer palpitações, falta de ar, sensação de sufocamento, tremores, sudorese, tontura, desconforto no peito, náusea, alterações na percepção de si ou do ambiente e medo de perder o controle ou morrer.
A intensidade dessas sensações pode tornar a experiência muito assustadora. Algumas pessoas procuram atendimento médico durante uma primeira crise porque os sintomas podem se parecer com os de outras condições de saúde.
Ter um ataque de pânico não significa, por si só, ter transtorno do pânico.
Ataques de pânico podem ocorrer isoladamente ou associados a diferentes condições. Para compreender o que está acontecendo, é importante considerar como as crises surgem, sua recorrência, o que acontece entre elas e as mudanças que passam a produzir na vida da pessoa.
O que caracteriza o transtorno do pânico
Ter um ataque de pânico não é o mesmo que ter transtorno do pânico. No transtorno do pânico, ocorrem ataques recorrentes e inesperados e, depois de pelo menos um deles, permanece por um período significativo a preocupação com novas crises ou com suas consequências, e/ou surgem mudanças importantes de comportamento relacionadas a esse medo.
Na experiência cotidiana, isso pode assumir diferentes formas. A pessoa pode começar a observar excessivamente as próprias sensações corporais, preocupar-se com qualquer alteração nos batimentos cardíacos, na respiração ou no equilíbrio, evitar determinados lugares ou atividades e criar estratégias para se sentir mais segura caso uma nova crise aconteça.
Aos poucos, portanto, o problema pode deixar de estar apenas no momento da crise. O medo de que ela aconteça novamente começa a ocupar também os períodos em que não há um ataque.
Com o tempo, esse medo pode interferir nas escolhas, no trabalho, nos relacionamentos, nos deslocamentos e na vida social. Em alguns casos, a pessoa passa a organizar partes importantes da própria vida em função da tentativa de evitar uma nova crise.
Como o medo de novas crises pode se manter
Depois de um ataque de pânico, é compreensível que a pessoa passe a prestar mais atenção ao próprio corpo e tente reconhecer sinais de que uma nova crise está começando.
Em algumas pessoas, pode se formar um ciclo: uma sensação corporal é percebida como sinal de perigo e o medo aumenta; novas sensações aparecem e podem ser percebidas como confirmação de que algo grave está acontecendo. O aumento da atenção às sensações e o receio de uma nova crise podem tornar esse processo ainda mais intenso.
Para evitar que isso aconteça novamente, a pessoa pode começar a evitar lugares, atividades ou situações associadas às crises, ou adotar estratégias que lhe deem maior sensação de segurança.
Essas respostas podem trazer alívio no momento, mas também podem manter o medo ao impedir que a pessoa descubra, pela própria experiência, que nem toda sensação ou situação temida leva a uma nova crise.
Esse é um dos processos que podem contribuir para a manutenção do pânico, mas não é uma explicação completa para todas as pessoas. A compreensão clínica também precisa considerar quando e em que contexto as crises começaram, a história da pessoa, suas experiências emocionais, condições de vida e outros fatores que possam estar relacionados ao sofrimento.
Como a psicoterapia pode ajudar no transtorno do pânico
A psicoterapia pode ajudar a compreender o que acontece durante as crises e, principalmente, o que passa a acontecer na vida entre uma crise e outra. O trabalho clínico pode envolver a relação com as sensações corporais, as interpretações associadas a elas, o medo de novas crises, os comportamentos de evitação e as estratégias utilizadas para se sentir seguro.
Dependendo do caso, também é importante compreender em que contexto as crises começaram e que lugar essa experiência passou a ocupar na vida da pessoa. História de aprendizagem, experiências emocionais, padrões relacionais e condições concretas de vida podem ser relevantes para compreender o sofrimento e orientar o tratamento.
Algumas intervenções procuram reduzir gradualmente a evitação e ampliar a possibilidade de permanecer diante de sensações ou situações que passaram a ser temidas. Outras trabalham interpretações catastróficas, formas de lidar com a ansiedade e maneiras de reconhecer e responder às próprias experiências emocionais.
O tratamento não precisa seguir exatamente o mesmo percurso para todas as pessoas.
A condução clínica depende da compreensão de cada caso, dos fatores que participam da manutenção do problema e das necessidades daquela pessoa.
Dependendo do caso, o cuidado também pode envolver avaliação e acompanhamento médico. A indicação e o manejo de medicamentos devem ser realizados por profissional habilitado.
O que tende a mudar ao longo do processo terapêutico
A psicoterapia pode produzir mudanças não apenas na frequência ou intensidade das crises, mas também na maneira como a pessoa se relaciona com a possibilidade de que elas aconteçam.
Ao longo do processo, o trabalho pode favorecer:
- Maior compreensão sobre as crises e sobre os fatores relacionados à sua manutenção;
- Menor medo das próprias sensações corporais;
- Redução da ansiedade antecipatória e da necessidade de monitorar constantemente o corpo;
- Diminuição de comportamentos de evitação e de estratégias adotadas para prevenir ou lidar com uma possível crise;
- Retomada gradual de atividades, lugares e experiências que haviam sido restringidos pelo medo.
A mudança não significa necessariamente deixar de sentir ansiedade ou nunca mais experimentar sensações desconfortáveis. Um aspecto importante do tratamento é ampliar a possibilidade de viver sem que o medo de uma nova crise determine continuamente escolhas e limites.
O tempo da decisão terapêutica
A decisão de procurar psicoterapia nem sempre acontece logo depois das primeiras crises. Algumas pessoas convivem com essas experiências durante muito tempo sem compreender exatamente o que está acontecendo. Outras encontram maneiras de adaptar a rotina, evitar determinadas situações ou esconder aquilo que sentem.
Também pode haver vergonha. Quando não se compreende por que o corpo reage daquela maneira ou por que o medo parece tão difícil de controlar, a pessoa pode interpretar a própria experiência como fraqueza, falta de controle ou algo que deveria conseguir resolver sozinha.
O pânico não modifica a vida apenas pela intensidade das crises.
Às vezes, modifica também
pelo silêncio em torno delas, pelas adaptações que vão se tornando habituais
e pela dificuldade de compreender e nomear o que se vive.
Não existe um momento único em que alguém “deveria” procurar ajuda. A psicoterapia pode ser procurada quando as crises começaram recentemente, quando o medo já vem restringindo a vida há algum tempo ou simplesmente quando surge o desejo de compreender melhor o que está acontecendo.
Se você quiser compreender melhor o que está acontecendo
Se ainda há dúvidas sobre as crises ou sobre o transtorno do pânico, estes textos podem ajudar a aprofundar alguns dos temas abordados nesta página:
Informações e Agendamento
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Entrar em contato pelo WhatsAppSobre Mary Scabora
Mary Ana Paula Scabora (CRP 05/36742) é psicóloga clínica e especialista em neurociências e comportamento. Atende adultos no Brasil e no exterior, acompanhando pessoas que desejam compreender os processos emocionais, cognitivos e relacionais envolvidos em seu sofrimento e em sua forma de viver, para além da redução de sintomas.
Sua prática integra psicologia baseada em evidências, neurociências e reflexão filosófica, articuladas a uma escuta clínica orientada por pensamento crítico, rigor técnico e atenção à singularidade de cada trajetória.
