Ansiedade

panico.psi.Mary-ScaboraO que é ansiedade? Por que ficamos ansiosos?

A ansiedade é uma emoção que faz parte da experiência de vida. É uma reação normal do organismo diante de situações que temos que lidar no decorrer da vida que provocam duvida e expectativas gerando apreensão. Envolve padrões fisiológicos e psicológicos que incluem pensamentos e emoções que geram tensão corporal.  

É um estado de ânimo produtivo, pois colabora para nosso estado de atenção e alerta nos preparando para desafios, protegendo-nos de possíveis perigos além de preparar nosso organismo para o ataque ou fuga.

Ela colabora para aumentar nossa capacidade de realização. Sente-se ansiedade antes de algum evento importante e significativo: apresentação de um projeto, casamento, nascimento de um filho, separação, antes de submeter-se a algum teste, antes de um encontro. É natural e normal sentirmos ansiedade em qualquer situação que gere duvida ou expectativas.

Quando este mecanismo de resposta de ameaça interna é desproporcional, a ansiedade vem sem causa aparente e em intensidade elevada esta dinâmica é sentida como negativa ameaçadora e desorganiza os processos do pensamento comprometendo a capacidade de raciocínio lógico e coerente gerando sofrimento.

Normalmente, qualquer transtorno mental é decorrente da interação de fatores biológicos, psicológicos e sociais. Filhos de pais ansiosos ou crianças que vivem em ambientes mais hostis têm mais chances de desenvolverem quadros de ansiedade alterados. Porém, não é um fator determinante.

Algumas pessoas têm uma infância ótima, em um ambiente onde se sentem seguras e amadas, e acabam sofrendo com a ansiedade. A maneira como a pessoa interpreta as experiências e os acontecimentos da vida são fatores importantes para a qualidade da saúde emocional, principalmente em quadros ansiosos.

As experiências da infância determinam em grande parte como a pessoa reagirá sob tensão quando estiverem mais velhas.

Alguns quadros ansiosos também podem ser desenvolvidos devido aos efeitos colaterais de algumas drogas, recreativas ou medicinais, que provocam os sintomas desse estado emocional.

A origem da ansiedade nem sempre é identificada ou reconhecida, o que tende a piorar a sensação de angústia, na maior parte das vezes, acompanhada de reações físicas e mentais desconfortáveis.

Essa emoção ocorre quando uma pessoa, sem motivo aparente ou ameaça identificável, se sente apreensiva e angustiada com a sensação de que algo ruim vai acontecer, sentimento de incapacidade, medos excessivos, receio de lidar com o futuro, de fracassar e de perder o controle, e ainda medo de enlouquecer, de morrer, ou de que algum ente querido morra. Além disso, são identificadas algumas sensações físicas intensas como: aperto no tórax, palpitação, calafrios ou ondas de calor, suor, tremor, náusea ou desconforto abdominal, tontura, suor em excesso, falta de ar e sensação de não conseguir respirar.

A ansiedade em graus elevados altera a saúde e tudo o que se refere à vida da pessoa que sofre do transtorno. Ela é considerada a causa mais frequente de doenças que se manifestam no corpo. Acarreta problemas no aparelho digestivo (gastrite, cólicas e náuseas); aparelho respiratório; (asma e alergias), afecções cutâneas, hipertensão, dores de cabeça e nas costas, dificuldades de dormir, queda de cabelo, distúrbios alimentares, de memória e funções sexuais, além de cansaço, roer unhas, dificuldades de concentração e sentimentos de desmotivação.

Transtornos de ansiedade podem acompanhar ou desencadear outras doenças como a depressão, síndrome do pânico, fobias (medo de sair, de dirigir, de objetos ou de lugares específicos) ou problemas comportamentais como dificuldades de relacionamento e abuso de álcool, fumo e outras drogas. Consequentemente, a ansiedade também traz prejuízos afetivos, na vida social e profissional da pessoa.

Os transtornos ansiosos são mais prevalentes em mulheres. Os fatores da causa são controversos, mas as variações hormonais podem ser as principais responsáveis, em conjunto com as questões psicológicas e sociais. Porém, é comum que as mulheres atentem-se mais às questões da saúde física, fazendo com que realizem mais consultas médicas periódicas do que os homens que, muitas vezes, não manifestam queixas, mas mantêm um comportamento irritadiço e agressivo, desenvolvendo problemas como a dependência ou abuso do álcool.

Além das mulheres, crianças e adolescentes costumam ter problemas com a ansiedade, porém ela é mais frequente em pessoas que estão passando por fases mais produtivas da vida e se deparam com demandas dos relacionamentos, carreira, trabalho, família, vida afetiva, filhos, doenças e vida social.

O tratamento deve ser feito com psicoterapia e, caso necessário, acompanhamento com médico psiquiatra

Para minimizar os efeitos da ansiedade é necessário que se conheça e saiba lidar com o transtorno. Sabendo identificar e agenciar emoções e pensamentos, o indivíduo tem mais possibilidades de fazer escolhas assertivas e com mais segurança, além de estabelecer relações profissionais, sociais e afetivas de forma mais produtiva, evitando prejuízos e danos à saúde.

Técnicas de terapias cognitivo-comportamental colaboram significativamente para aliviar os sintomas em curto espaço de tempo. Porém, descobrir o motivo pelo qual a pessoa desenvolveu os sintomas, aprender a reconhecê-los e a lidar com eles de forma que tenha uma vida com mais qualidade e mais produtiva demanda um tempo maior, pois depende de uma série de fatores individuais. Não tem como prever.

O ideal é que a terapia não seja só para aliviar os sintomas e sim um processo de autoconhecimento no qual o individuo poderá descobrir e aprender sobre si, a maneira como lida com as emoções e como estas interferem em sua vida. É um investimento no qual o ganho se reflete em todo o contexto de vida, proporcionando qualidade e saúde.