Vida sexual e envelhecimento

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“Os anos enrugam a pele, mas renunciar ao entusiasmo faz enrugar a alma.” Albert Schweitzer

A diminuição da libido na velhice está ligada a mudanças físicas, patológicas, sociais e emocionais. Nos homens, é natural que com o processo do envelhecimento ocorra gradativamente uma queda da testosterona que interfere no  apetite sexual.

Muitas vezes o uso de determinados tipos de medicamentos para tratamento de doenças orgânicas como a hipertensão, diabetes, problema cardiovascular, depressão, entre outros pode inibir o desejo sexual.

É comum que em grande parte dos idosos ocorra disfunção erétil e diante deste quadro diminui a 

autoestima, a segurança e aumenta a ansiedade, devido à constante preocupação em relação a sua capacidade e desempenho sexual. Isso compromete sua relação com a parceira e interfere também na vontade de fazer sexo.

Nas mulheres a diminuição da libido também pode estar relacionada ao uso de medicamentos em função das doenças orgânicas e dificuldades psicológicas (uso de antidepressivos, tranquilizantes e ansiolíticos que inibem o desejo sexual).

Com a chegada da menopausa é possível que a mulher tenha alguma interferência na libido em função de alguns sintomas que podem tornar o sexo desconfortável e menos prazeroso.

É comum que neste período ocorram mudanças físicas e orgânicas e a mulher sinta alguma dor ou desconforto durante o ato sexual, em função da secura da vagina, comprometendo a qualidade do sexo e consequentemente diminuindo a vontade.

Porém, fatores psicossociais e culturais tem maior efeito sobre a libido feminina que as questões hormonais.

A mulher sofre ainda mais que o homem com os preconceitos e a discriminação relativos à sua vida sexual. É comum que mulheres que ao longo do tempo tiveram a vida sexual desprovida de prazer (e mantinham a atividade sexual apenas como ‘dever’ conjugal) usem a menopausa para abster-se das atividades sexuais alegando falta de desejo em função do termino da menstruação, ou questões hormonais.

Além disso, tanto em homens como nas mulheres, fatores emocionais ligados ao estresse, à ansiedade ou à depressão muitas vezes podem ser resultantes de problemas no trabalho, no casamento, com os filhos ou financeiros. E outras questões emocionais comuns às dificuldades e à condição de idoso colaboram para uma significativa perda na qualidade da vida sexual.

Para contornar a situação é importante que o idoso busque conhecimento sobre os processos do envelhecimento, assim como sobre as transformações do seu corpo, e se conscientize das implicações deste processo. Buscar entender as mudanças que ocorrem no seu organismo ajuda a se adaptar e desenvolver uma atitude positiva frente à sua realidade.

A prática da atividade sexual é importante também para os idosos. Além de ser extremamente benéfica para a saúde física, promove mais qualidade para a saúde emocional.

É importante entender as limitações e as mudanças para redefinir a relação com a sexualidade e buscar novas formas de prazer condizentes com sua realidade física e psicológica. 

Mary Scabora