Compulsão alimentar

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O Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica TCAP (a literatura americana utiliza-se do termo “binge eating” para os ataques de comer exageradamente) tem como característica a presença de episódios recorrentes de ingestão de grande quantidade de alimentos em um curto intervalo de tempo, seguido de uma sensação de vergonha, culpa, angustia perante a perda de controle sobre o ato de comer, sobre o que se come e o posterior arrependimento por ter comido.

Esse comportamento alimentar assemelha-se à bulimia, com a diferença de que nos quadros de TCAP não há a necessidade de induzir o vomito a fim de expelir o alimento ingerido, pois não existe, durante os episódios de compulsão, a preocupação com o aumento de peso e com o corpo como no caso da bulimia ou dos obesos.

A pessoa não come por fome, come por impulso, e não existe um critério de seleção dos alimentos. Ela tem preferências por alimentos saborosos, mas na falta deles come o que tiver ao alcance.

Cabe ressaltar que o TCAP não ocorre somente em obesos, mas também em pessoas com peso normal, muito embora a maioria tenha um histórico de tentativas frustradas de fazer dietas e sentem-se desesperados diante da perda de controle durante os episódios de “binge”, pois ingerem milhares de calorias em uma única refeição.

O processo é cíclico, surge o desejo de comer algo, come-se muito rápido e exageradamente até não aguentar mais, surge a angustia, a vergonha, a culpa e o arrependimento seguido de raiva de si mesmo, a depressão e novamente o descontrole.

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Qual as causas da compulsão alimentar?

O ato de comer possui significados simbólicos que estão ancorados na fase mais primitiva no desenvolvimento. Na literatura psicanalítica, a boca é o primeiro acesso de comunicação com o mundo externo. O recém-nascido percebe o mundo e estabelece contato através da boca e é nesta fase oral que estabelecemos relação e comunicação com o mundo externo e temos contato com sentimentos como prazer, satisfação, amor, agressividade, raiva, privação e medo.

A boca, além de ser uma das fontes de nutrição é também de satisfação. O ato de comer gera prazer e, consequentemente, tranquilidade. Isso explica a compulsão que se apresenta na maioria de pessoa que estão acima do peso e com dificuldades em manter um peso saudável. Mas neste caso, o prazer e a satisfação são ilusórios.

A compulsão também possui a sua origem em fatores genéticos, psicológicos, em maus hábitos alimentares e comportamentais (como o sedentarismo e o estilo de vida inadequado), além de fatores físicos, pois se trata de um desequilíbrio bioquímico dos neurotransmissores responsáveis pelo controle da saciedade. Açúcar e carboidratos são estimulantes naturais de serotonina, neurotransmissor que atua no cérebro regulando o humor, sono, apetite, ritmo cardíaco, temperatura corporal, sensibilidade a dor, movimentos e funções intelectuais.

O tratamento psicológico ajuda a desenvolver recursos para lidar com as dificuldades, colabora para ampliar a consciência sobre si mesmo, promove equilíbrio emocional, detecta o ativador da ansiedade que leva à compulsão (o ato de comer é um poderoso redutor de ansiedade) e entre outras coisas ajuda o indivíduo a aprender a lidar e a controlar o que o angustia, para não buscar refúgio na comida, pois tal mecanismo gera mais angústia, pela culpa.